segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Envelhecer




“Mês passado participei de um evento sobre as mulheres no mundo contemporâneo.
Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.
Foi um momento inesquecível... A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito.
Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?'
Onde, não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo.
Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.
Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas, mesmo em idade avançada. A fonte da juventude chama-se ‘mudança’.
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora.
A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas.
Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.
Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho.
Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.
Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos.
Rejuvenesceu.
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol.
Rejuvenesceu.
Toda mudança cobra um alto preço emocional.
Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.
Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.
Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho.
Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.
Olhe-se no espelho...”


Lya Luft

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

I BELIEVE!!!




Eu acredito que exista sim a felicidade eterna.
Eu acredito sim que um dia eu vá encontrar alguém que vá fazer meu coração bater a mil por hora, e que isso não vai durar apenas algumas horas.
Eu acredito que um dia vou ver meus filhos casando, a casa cheia de netos.
Acredito me ver em uma ótima posição social, uma vida confortável e feliz.
Porém me pergunto: Porque acreditar nisso, significa acreditar em contos de fadas?
Será que nem acreditar eu posso?
Claro que posso!
Minha alma gêmea não precisa necessariamente vir montado em um cavalo branco, não precisa me salvar de um acidente fatal, muito menos precisamos nos conhecer ao se esbarrar em uma livraria. Aliás, minha alma gêmea também não precisa ser necessariamente uma pessoa. Minha alma gêmea pode ser meu amor ao próximo, meu desejo de paz, minha sede de viver. Minha alma gêmea pode ser o sol de cada dia...
O amor da minha vida não precisa amar ‘Crepúsculo’ e nem ler Martha Medeiros. O amor da minha vida não precisa gostar de tudo aquilo que eu ouço, e nem rir de todas as minhas piadas. Mas sim. Ele precisa me fazer rir.
Meus filhos também não serão capa das revistas da Johnson & Johnson.
Eu não espero me formar daqui a quatro anos, mas espero sim me formar!
Espero me formar por inteiro. Não quero me limitar, quero estar em constante mudança.
Pintar o cabelo de vermelho. Quem sabe um moicano verde?
Ué. Quem sabe!
Quero continuar querendo. Quero desejos. Quero brigar no transito. Quero tomar um banho de chuva depois do trabalho. Quero bater a meta todo mês. Quero ser uma fotografa consagrada. Quero que meu time sempre ganhe. Quero suar de tanto amor. Quero que me queiram. Quero alguém. Quero mais. Quero meu New Beetle amarelo, nem que quando eu o adquira ele pareça um fusca velho. Quero comprar toda a linha Victória Secret’s. Quero um nariz novo, novos seios, um novo pé.
Eu quero tudo que eu quero. E é pelo simples fato de eu acreditar que sei que boa parte disso pode sim se tornar real. Que não basta querer, é preciso ACREDITAR.
Acredite você também.
I BELIEVE!

M PANDOLFI.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

POR UM LONGO TEMPO



Por um longo tempo da minha vida tomei atitudes baseada na minha forma de pensar.
Não me lembro a quanto tempo faz, ou desde quando comecei a achar que a melhor maneira de se vingar de alguém seria fazer essa pessoa sofrer o mesmo que Eu. Acredito que eu não seja a única a pensar dessa forma.
Eu acreditava que alguém só me amaria de verdade se eu primeiro a esnobasse para a depois ama-la. Acreditava que alguém só me ouviria se eu usasse o grito como forma de me expressar. Eu acreditava que alguém sofrer por mim significava amor de verdade.
Definitivamente parei de pensar dessa forma.
Passei a acreditar que não existe melhor maneira de se vingar de alguém que te fez sofrer, a não ser mostrar alegria a ela.
Passei a crer que não sofremos porque não correspondem ao amor que doamos. E sim porque a maneira que nos retribuem não é a mesma que esperamos.
Passei a acreditar que amor nenhum é mais importante do que a paz interior, e que fazer alguém sofrer não é tão bom quanto parece, que a alegria de se sentir superior é tão instantânea que passa assim que vemos que nada mudou,o tempo não voltou, e que apenas paramos e vimos o tempo passar em vão.

M PANDOLFI.

terça-feira, 5 de outubro de 2010




Abri os olhos e vi. Vi que nem em mim mesma posso acreditar.
Eu me enganei... Me enganei da forma mais estúpida que um ser humano pode se enganar.
Pensei que pudesse mais do que a minha alma. Se é que você me entende.
Assegurei-me em meu corpo e segui caminhos sozinha.
Comecei histórias fantasiadas em uma vida que não era minha. Virei um personagem que nem eu mesma conheço. Talvez eu conheça. Talvez todas essas personagens fossem quem eu realmente gostaria de ser.
Agora é hora de acordar, tirar a maquiagem dessa vida de mentiras.
Chegou a hora de dar fim a essa trajetória.
E creio que a melhor maneira seja voltando ao início, sim, vamos voltar.
Tirar de dentro de mim aquele choro que está encubado, arrancar do peito todos os berros, e palavras que de tanto tempo ali, já nem sabem pra onde ir.
E eu, que pensava que podia superar tudo, acredito que eu tenha pensado até mesmo que podia o impossível.. Afinal,eu venho tentando o impossível durante todo esse tempo e nem percebi.
Nem percebi que de nada adianta fugir e fingir. Todos aqueles problemas de alguma forma ou de outra eles virão ao teu encontro. Literalmente!
E você, não saberá como encara-los e fugira igual a todas as outras vezes.
E assim, seguira fugindo, fugindo,fugindo... Até se deparar com você sentindo pena de si mesmo, por não saber mais uma vez o que fazer!

M. PANDOLFI

sábado, 2 de outubro de 2010

MODO DE USAR-SE



"Coitada, foi usada por aquele cafajeste". Ouvi essa frase na beira da praia, num papo que rolava no guarda-sol ao lado. Pelo visto a coitada em questão financiou algum malandro, ou serviu de degrau para um alpinista social, sei lá, só sei que ela havia sido usada no pior sentido, deu pra perceber pelo tom do comentário. Mas não fiquei com pena da coitada, seja ela quem for.

Não costumo ir atrás desta história de "foi usada". No que se refere a adultos, todo mundo sabe mais ou menos onde está se metendo, ninguém é totalmente inocente. Se nos usam, algum consentimento a gente deu, mesmo sem ter assinado procuração. E se estamos assim tão desfrutáveis para o uso alheio, seguramente é porque estamos nos usando pouco.

Se for este o caso, seguem sugestões para usar a si mesmo: comer, beber, dormir e transar, nossas quatro necessidades básicas, sempre com segurança, mas também sem esquecer que estamos aqui para nos divertir. Usar-se nada mais é do que reconhecer a si próprio como uma fonte de prazer.

Dançar sem medo de pagar mico, dizer o que pensa mesmo que isso contrarie as verdades estabelecidas, rir sem inibição – dane-se se aparecer a gengiva. Mas cuide da sua gengiva, cuide dos dentes, não se negligencie. Use seu médico, seu dentista, sua saúde.

Use-se para progredir na vida. Alguma coisa você já deve ter aprendido até aqui. Encoste-se na sua própria experiência e intuição, honre sua história de vida, seu currículo, e se ele não for tão atraente, incremente-o. Use sua voz: marque entrevistas.
Use sua simpatia: convença os outros. Use seus neurônios: pra todo o resto.

E este coração acomodado aí no peito? Use-o, ora bolas. Não fique protegendo-se de frustrações só porque seu grande amor da adolescência não deu certo. Ou porque seu casamento até-que-a-morte-os-separe durou "apenas" 13 anos. Não enviuve de si mesmo, ninguém morreu.

Use-se para conseguir uma passagem para a Patagônia, use-se para fazer amigos, use-se para evoluir. Use seus olhos para ler, chorar, reter cenas vistas e vividas – a memória e a emoção vêm muito do olho. Use os ouvidos para escutar boa música, estímulos e o silêncio mais completo. Use as pernas para pedalar, escalar, levantar da cama, ir aonde quiser. Seus dedos para pedir carona, escrever poemas, apontar distâncias. Sua boca pra sorrir, sua barriga para gerar filhos, seus seios para amamentar, seus braços para trabalhar, sua alma para preencher-se, seu cérebro para não morrer em vida.

Use-se. Se você não fizer, algum engraçadinho o fará. E você virará assunto de beira de praia.
Martha Medeiros

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

QUANDO ME AMEI DE VERDADE



Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é...Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... Saber viver!

Charles Chaplin

sábado, 11 de setembro de 2010




I am nothing now and it's been so long
Since I've heard a sound, the sound of my only hope