terça-feira, 12 de abril de 2011

Familiares das vítimas da tragédia na Escola Municipal Tasso da Silveira.



Apenas já não somos mais crianças e desaprendemos a cantar. As cartas continuam queimando. Eu tentei pensar em Deus. Mas Deus morreu faz muito tempo. Talvez se tenha ido junto com o sol, com o calor. Pensei que talvez o sol, o calor e Deus pudessem voltar de repente, no momento exato em que a última chama se desfizer e alguém esboçar o primeiro gesto. Mas eles não voltarão. Seria bonito, e as coisas bonitas já não acontecem mais.”

Caio Fernando Abreu





domingo, 10 de abril de 2011

DE CARA LAVADA




Hoje me desfiz dos meus bens

vendi o sofá cujo tecido desenhei
e a mesa de jantar onde fizemos planos

O quadro que fica atrás do bar
rifei junto com algumas quinquilharias
da época em que nos juntamos

A tevê e o aparelho de som
foram adquiridos pela vizinha
testemunha do quanto erramos

A cama doei para um asilo
sem olhar pra trás e lembrar
do que ali inventamos

Aquele cinzeiro de cobre
foi de brinde com os cristais
e as plantas que nós regamos

Coube tudo num caminhão de mudança
até a dor que nós soubemos curar
mas que um dia vamos.

Martha Medeiros


Em todos os lugares que vi, este texto está como sendo de Martha,mas...
Como sempre... perfeito.

sexta-feira, 8 de abril de 2011


Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.
Clarice Lispector

terça-feira, 5 de abril de 2011

Existem duas dores de amor:




A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados na dor que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.


A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado. Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também...

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida... Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, lógicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente, e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a "dor-de-cotovelo" propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: "Eu amo, logo existo".

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente...

E só então a gente poderá amar, de novo.


MARTHA MEDEIROS

Selinho...


Cinco regrinhas básicas:
  1. Exiba a imagem do prêmio cima
  2. Post o link do blog que o premiou: http://desabandoempensamentoss.blogspot.com
  3. Publique as regras
  4. Indique 10 blogs para receberem
  5. Avise os indicados

Blogs que indico:

Desabando em pensamentoss
Aline Lange
Diary Frustrated
Silvinhahb "Entre Aspas"
Peripecias Momentaneas "amor e caos"
Doce Rouxinol Doce Mundo
Diarios de uma Desconhecida
Vorticelins
Anajacomo
Nora Lange


Bom e agradecer principalmente a Mona e a Ana Paula (Diaryfustrated) que me enviaram selinhos, fiquei muito muito muito feliz!!! Nesta lista estão mencionados os blogs que mais visito, e sou apaixonada hehe. Parabéns o blog de vocês são lindos.




quarta-feira, 30 de março de 2011

Absurdo



Hoje meu post é um desabafo.
Ainda em estado de revolta, escrevo e pesquiso sobre o assunto: A Orca Tilikum.
Para quem não se lembra em 2010 uma treinadora do parque Sea Wolrd se desequilibrou e caiu no tanque aonde estava a Orca Tilikum, e se afogou com os ‘golpes’ da orca que estava incontrolável.

Vou por aqui algumas citações sobre o caso.

"Uma de nossas mais experientes treinadoras de animais afogou-se em um incidente com uma de nossas orcas nesta tarde", informou Dan Brown, gerente-geral do SeaWorld.

"Este é um momento extremamente difícil para os parques SeaWorld", disse o gerente ao se referir ao ocorrido.

“Treinador do Sea World diz que shows ajudam a conscientizar pessoas."



Parques da rede SeaWorld nos EUA já haviam sido palco de incidentes anteriormente. Em novembro de 2006, o treinador Kenneth Peters, de 39 anos, foi mordido e levou vários 'caldos" de uma orca durante um show em San Diego, na Califórnia.

No site da globo esta tarde foi anunciada a volta dos Shows da Orca que ano passado “matou” sua treinadora no parque Sea World.
Não consigo acreditar que tamanha ignorância seja permitida. Após um ano do trágico acontecimento com a treinadora Dawn Brancheau, a orca Tilikum voltará a se apresentar. A minha indignação não é exclusivamente por essa orca. E sim pela centenas de animais como este que são mantidos em cativeiros abomináveis que tornam-se diversão para quem não tem um pingo de compaixão pelo animal.


“Confinar um animal de 5,5 toneladas em uma piscina é equivalente a confinar uma pessoa de 68 quilos em uma banheira de hidromassagem para o resto da vida”, afirmou ao G1 por e-mail a advogada Joyce Tischler, uma das fundadoras do Fundo de Defesa Legal dos Animais, que atua nos EUA.

É inacreditável que um animal lindo, cheio de instinto, que é capaz de viajar 160 quilômetros por dia, permaneça em um AQUARIO. Isso é praticamente obriga-lo a não ter controle.
Ninguém tem o direito de ADESTRAR alguém, ou qualquer coisa. Isso é exploração, é abuso. Um animal que sequer pode expressar suas necessidades, a não ser empinando o corpo para o alto, comendo alguns peixes, emitindo sons. Mas isso é claro, para uma gigantesca planteia.

Eu acredito sim que alguns animais percam o extinto, esqueçam-se como é ser livre. Alguns. E não 400 orcas. Isso é impossível. É um maltrato descarado.
Não quero bancar a moralista e nem julgar quem frequenta esse tipo de CIRCO DE HORROR, também não acho que tenha sido justo a morte da treinadora. Mas o que não entra na minha cabeça é alguém dizer amar um animal como este, e compactuar com tamanho absurdo.

O Sea Wolrd um dos mais famosos parques divulga ainda, que é um momento difícil para o parque; afinal uma orca matou uma das principais funcionarias.
E a orca? Quem se responsabiliza pela morte desse animal. Porque é provavelmente assim que ele se sente... morto.
Infelizmente o que eu digo, ou o que eu penso não pode mudar nada. Mas quem sabe um dia o mundo se conscientize, e assim poderemos ver animais como esses livres, e no ambiente que é deles por direito.

Fonte: Site o globo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Em tempos...

"viver é fácil com os olhos fechados"






"Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo."
Martha Medeiros